Sobre este guia

  Este Guia tem os seguintes objetivos:
  • Apresentar uma revisão sistemática dos princípios e prática relativos às principais formas de comunicação científica nomeadamente artigos científicos, pósteres e dissertações.
  • Identificar os diferentes objetivos desses modos de comunicação, e compreender as etapas chave e componentes de uma comunicação científica efetiva.  
  • Destacar as competências base para uma avaliação crítica da comunicação científica.
 
Pretende-se que, no final da sua consulta, se sinta capaz de:
  • Exercitar as suas competências de pesquisa, usar as ideias de outros investigadores para suportar o seu próprio pensamento assim como aplicar as normas corretas de citação e de atribuição de autoria. 
  • Demonstrar competências de leitura crítica e analíticas, incluindo construir um argumento.  
  • Usar a informação e conhecimento adquiridos com o objetivo de melhorar a sua escrita em ambiente académico.
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O que se entende por escrita científica?
A escrita científica é uma escrita técnica realizada por um cientista ou investigador para uma audiência de pares.

O objetivo é comunicar, isto é, informar sobre novas descobertas ou ideias que possam interessar a quem lê.
Decorre do processo de investigação científica e, por isso, coloca a ênfase nas evidências e na argumentação e não na suposição ou opinião.
 
Principais características
  • Clareza: uma escrita clara corresponde a um pensamento claro.
  • Precisão​: uma escrita precisa gera objetividade.
  • Estrutura lógica: uma escrita lógica conta uma história, a história do processo de investigação.

Saiba mais sobre
características dos documentos científicos (+)

A escrita científica é um processo! E inicia-se antes da escrita propriamente dita.
 
Etapas da escrita
  • Ler: para conhecer o estado da arte.
  • Planear: para saber o que comunicar.
  • Escrever: para explorar o tópico que se pretende abordar (free writing).
  • Reescrever: para obter uma primeira versão do trabalho.
  • Rever: para concluir o que faz sentido.
  • Obter feedback: para melhorar.
Competências necessárias
Espírito crítico
Raciocínio lógico
Objetividade
Responsabilidade
Integridade
HumberEdu. (2017, março 27). Academic Integrity.  [Video]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=8_SxY2jpRFc
Integridade académica
O conceito de integridade académica coloca a tónica no lado positivo da aprendizagem e na valorização pessoal, alargando o seu âmbito para questões que extrapolam o conceito de plágio o qual é normalmente assocado à cópia ou à compra de trabalhos a colegas.  
 
Valores da integridade académica
  • Exatidão: assegurar que o trabalho apresentado não contém erros.
  • Honestidade: ser verdadeiro quanto às ideias próprias, distinguindo-as das que são de outros ou derivam do pensamento de outros; ser igualmente honesto sobre os métodos utilizados na investigação e sobre os resultados obtidos.
  • Justiça: não tentar obter vantagem com recurso a meios ilícitos como, por exemplo, usando como seu o trabalho desenvolvido por outros.
  • Responsabilidade: assumir um papel ativo no seu processo de aprendizagem, por exemplo, através da procura da informação necessária para estudar de forma eficaz um tema.
  • Respeito: pelos colegas, pelos professores e pelo trabalho de outros académicos.
Assim, devemos:

 ser exatos quando transcrevemos detalhes da informação que pesquisamos.
… ser honestos sobre as ideias que expressamos que derivam, não de construção própria, mas do pensamento formulado por outros.
… atuar de forma justa não nos apropriando indevidamente do trabalho alheio.
… assumir uma postura de responsabilidade identificando o que esperam de nós e como podemos corresponder a essas exigências.
… mostrar respeito pelos pares, reconhecendo e identificando o papel que tiveram na construção do nosso conhecimento.

Sobre a temática
Plágio
O plágio corresponde ao ato de apresentar uma obra inteletual de qualquer naturza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, entre outras) contendo partes de uma obra que pertena a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original.
 
Formas de plágio
  • Utilizar o trabalho de outra pessoa, no todo ou em parte, como se fosse seu.
  • Apresentar o mesmo trabalho em várias unidades curriculares.
  • Descarregar ou comprar um trabalho através da web
  • Copiar as palavras ou as ideias de outra pessoa sem referir a sua autoria.
  • Fornecer informação incorreta sobre a fonte utilizada .
  • Alterar algumas palavras do texto de outra pessoa, mas manter a estrutura da fonte, sem referir essa fonte.
  • Copiar um conjunto extenso de ideias ou palavras de forma a constituir, assim, grande parte do nosso trabalho, mesmo que se refira o autor.

Saiba mais sobre
como evitar o plágio (+)

 
Ferramentas de deteção de plágio

As situações de plágio são, no contexto académico, facilmente detetáveis por avaliadores experientes.
Existem sistemas informáticos que permitem a comparação de conteúdos e, assim, a análise de situações de risco.
 
Exemplos de softwares de deteção de plágio

Safe Assign (Disponível para Blackboard)
Plagiarisma (Google académico) 
JPlag 
Turnitin
York St.John University. (2013, janeiro 22).  Understanding plagiarism[Video]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=ptHIA5bMnio
Para iniciar...
A pesquisa de informação necessária para a realização de um trabalho de índole académica está hoje facilitada pela abundância de recursos ou fontes de informação a que é possível aceder e que nos podem ajudar na realização do nosso projeto. Para além da informação disponível em Bibliotecas e outras unidades de informação é também possível encontrar informação digital, disponível em bases de dados, nomeadamente documentos em acesso aberto.
 
Como identificar recursos relevantes e de qualidade
  • Analise a informação que resulta da pesquisa feita tomando em consideração aspetos como atualidade, autoria, objetividade, propósito, entre outros.
  • Pesquise o tema de investigação em diferentes tipologias de recursos de informação.
Como identificar termos de pesquisa
  • Identifique cada um dos conceitos envolvidos na sua investigação e elabore uma lista com os sinónimos que poderão ser utilizados na literatura sobre esse assunto.
  • Poderá conseguir identificar palavras ou frases alternativas para os conceitos envolvidos no seu trabalho. Caso tenha dificuldade em fazê-lo pode usar um thesaurus para identificar sinónimos ou pesquisar os conceitos num motor de pesquisa como o Google Scholar 
  • Examine o resumo ou o texto integral de um artigo relevante em busca de palavras ou frases alternativas.
  • Traduza os termos de pesquisa para língua inglesa sempre que pesquisar em bases de dados internacionais.
  • Defina limites geográficos ou cronológicos de forma a refinar a pesquisa.
 
Importância das citações no processo de pesquisa

Caso tenha identificado um artigo relevante poderá pesquisar e encontrar uma listagem de artigos que citam esse artigo.

A utilização desta estratégia permite-lhe:
  • Saber se os artigos foram citados por outros autores.
  • Encontrar artigos mais recentes sobre o mesmo assunto.
  • Perceber como uma ideia ou inovação conhecidas foi confirmada, aplicada, melhorada, expandida ou corrigida.
  • Elaborar uma revisão da literatura mais completa e abrangente.

Leeds University Library. (2016, abril 1).  Turning your research question into a search strategy. [Video].YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=ljiOuYDSs4U
Estratégias de pesquisa
Uma estratégia de pesquisa consiste na organização estruturada de termos usados para pesquisar numa base de dados. A estratégia de pesquisa combina os termos de forma a obter os melhores resultados, isto é, recursos de informação sobre o tema que sejam pertinentes para o trabalho a desenvolver. 
Ao pesquisar em bases de dados poderá verificar que existem diferenças entre elas, motivo pelo qual deve adaptar a estratégia de pesquisa a cada uma das bases que consulta. 
Pode ainda desenvolver diferentes estratégias de pesquisa para diferentes tópicos abordados na investigação que pretende realizar.
Provavelmente sentirá a necessidade de testar várias vezes as estratégias de pesquisa que está a usar, refinando-as à medida que vai recuperando informação da base de dados.
 
Pesquisar por palavra-chave
  • As palavras-chave são expressas em linguagem natural (palavras e frases em texto livre) que insere na caixa de pesquisa existente na base de dados.
  • Normalmente, uma pesquisa com recurso a palavras-chave procura os termos de pesquisa apenas no título e no resumo. Isto porque, por vezes, as bases de dados não incluem o texto integral dos artigos, apenas informação sobre o artigo (exs.: autor, título do artigo, data, título da revista e resumo).
  • Algumas bases de dados apenas encontrarão a palavra ou frase da forma como a escreve o que significa que deve prestar atenção à ortografia pois se não o fizer não recuperará documentos que poderão ser importantes para o seu trabalho.  
Pesquisar com truncatura e wildcards

Trunctura
  • Útil para encontrarmos as formas singular e plural de palavras e terminações variantes dado que usa a raiz da palavra recuperando todas as palavras que começam por essas letras.
  • Permite alargar a pesquisa sem ter de utilizar o operador OR.
  • Muitas bases de dados usam o asterisco (*) como símbolo de truncatura.  
  • Consulte o item “Ajuda” existente na base de dados se não estiver seguro sobre qual o símbolo que deve usar.
Exemplo: pharma* permite recuperar pharmacy, pharmaceuticals, pharmacology, pharmacist.

Wildcards
  • Um wildcard é utilizado com o objetivo de considerar grafias diversas das palavras, substituindo letras.
  • Muitas bases de dados usam o ponto de interrogação (?). Outras usam o símbolo ($).
  • Consulte o item “Ajuda” existente na base de dados se não estiver seguro sobre qual o símbolo que deve usar.
Exemplo: mobili?ation permite recuperar mobilization e mobilisation.
 
Pesquisar a frase exata
  • Se pretende que as palavras apareçam próximas umas das outras numa determinada frase, sem que outras apareçam pelo meio, deve escrever as palavras dentro de aspas (" ").
  • Algumas bases de dados pesquisam automaticamente os seus termos de pesquisa como uma frase exata e pela ordem em que a escreveu, sem que necessite de utilizar aspas.
  • A pesquisa por frases diminui o número de resultados que obtém tornando os resultados mais relevantes.
  • Consulte o item “Ajuda” existente na base de dados se não estiver seguro sobre qual o símbolo que deve usar.
Pesquisar com operadores booleanos
  • Os operadores booleanos – AND, OR e NOT – permitem-lhe executar  pesquisas com recurso a diferentes combinações.
  • Frequentemente as bases de dados apresentam os operadores booleanos como botões ou listas navegáveis que podem ser acionados para combinar os termos
O operador OR aumenta o número de resultados que recupera e é normalmente utilizado para combinar sinónimos de forma a que os resultados sejam mais abrangentes. Deve ser utilizado para encontrar registos contendo todos os termos separados pelo operador.
O operador AND reduz o número de resultados que recupera e é normalmente utilizado para combinar conceitos diferentes de forma a aumentar a relevância dos resultados obtidos. Deve ser utilizado para encontrar registos que contenham um dos termos separados pelo operador.
O operador NOT reduz o número de resultados que recupera ao excluir um termo de pesquisa: Deve ser utilizado com algum cuidado pois, de forma inadvertida, poderá excluir documentos importantes para o seu trabalho. Deve ser utilizado para excluir  registos que contenham certas palavras.

saiba mais sobre
outras formas de pesquisa (+)
Recursos de pesquisa da Biblioteca do Iscte
Reúne as referências dos recursos de informação da Biblioteca. Pesquise para ter acesso a livros e outros documentos, em formato papel, mas também digital.
Disponibiliza a prodção científica do Iscte, tendencialmente em Acesso Aberto. Pesquise para ter acesso a teses de doutoramento, dissertações de mestrado e outros documentos.
Permite a partir de uma única plataforma a realização de pesquisas em milhares de fornecedores de conteúdos e metadados de aproximadamente 70.000 livros e 64.000 revistas, facilitando desta forma o seu acesso a informação relevante.
Disponibiliza o acesso ilimitado e permanente às instituições de investigação e do ensino superior aos textos integrais de milhares periódicos científicos e ebooks online de alguns dos mais importantes fornecedores de conteúdos, através de assinaturas negociadas a nível nacional.
Para iniciar...
Para produzirmos um documento científico, para além do conhecimento prévio que possamos ter sobre o tema que pretendemos abordar, necessitamos de suportar as nossas ideias em documentos de diferentes tipologias elaborados por vários autores.
 
O que é Informação científica?

Informação científica corresponde ao conjunto de registos ou resultados do conhecimento baseado no método científico, sistematizados e divulgados através de diferentes meios (digitais, impressos, na web, entre outros) que, por sua vez, serve de base a novos registos ou resultados.

Na atualidade, o problema com que nos debatemos não é falta de informação, mas sim excesso de informação. Importa encontrar a informação mais adequada, a mais relevante, aquela de que necessitamos.
 
Como lidar com o excesso de informação?

Para lidarmos com o problema do excesso de informação dispomos de dois tipos de soluções:
  • Tecnológicas: ferramentas de pesquisa que filtram a informação restringindo-a a domínios que poderão ser relevantes.
  • Intelectuais: faculdade de análise crítica da informação, de examinar, de avaliar as fontes de informação, os documentos ou qualquer conteúdo comunicativo.
Porquê avaliar?
  • Nem toda a informação é fiável ou verdadeira.
  • Nem toda a informação é adequada para o nosso trabalho ou projeto.
  • Os recursos de informação variam bastante em termos da sua autoridade, objetividade, atualidade, cobertura e exatidão.
Critérios de avaliação de recursos de informação online
  • Objetivo ou Propósito: o objetivo da informação deve ser claro. Motivações diferentes estão na base da criação de sites: informar, persuadir, manifestar uma opinião, entreter ou parodiar uma pessoa ou um acontecimento. 
  • Autoridade: revela se a pessoa, instituição ou organismo responsável pelos conteúdos tem qualificações e/ou conhecimento para a produção dos conteúdos publicados. 
  • Cobertura: compreender quais são as áreas temáticas cobertas e relevância das informações contidas. 
  • Objetividade: entender qual a finalidade da página e da informação disponibilizada. 
  • FiabilidadeVeracidade ou Exatidão: este critério refere-se à confiabilidade, veracidade e correção do conteúdo informativo. Deve analisar-se o documento para compreender se os factos estão corretos ou se nos suscitam dúvidas. 
  • Atualidade: trata-se de verificar a periodicidade de atualização da informação disponibilizada.  
Ao avaliar informação online, responda às seguintes questões:
  • Posso confiar na informação?
  • A informação é fiável?
  • É relevante para um trabalho académico, nomeadamente, para ser usada numa investigação?
  • A informação recuperada satisfaz a minha necessidade?
  • Existem evidências quanto à credibilidade e confiabilidade da informação?
  • A informação parece ser válida e resultar de investigação suportada por evidências, ou não é o caso?
  • A informação pode ser citada num trabalho académico?

CedarvilleLIB. (2019, outubro 9).  Evaluating sources. [Video]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=Sxh2Az_Tn9A
Critérios de avaliação de recursos de informação impressos
Para a avaliação dos recursos de informação impressos podem ser utilizados alguns dos critérios destinados à avaliação de recursos de informação disponíveis online, por exemplo, cobertura, objetividade, fiabilidade e autoridade.
 
Ao avaliar informação impressa, responda às seguintes questões:
  • O autor é uma pessoa reconhecida como um perito no seu domínio científico?
  • A editora da obra é conhecida?
  • Analise o Índice: os assuntos em que está interessado constam do índice?
  • Leia a Introdução e Resumo: parecem-lhe consistentes?.
  • Analise a Bibliografia; as fontes utilizadas sáo fidedignas e estão atuais?
  • A Introdução inclui uma revisão da literatura abrangente?
  • Leia as Conclusões e Discussão dos resultados: são inovadores?
Para iniciar...
Ler de forma crítica significa que, ao lermos, nos envolvemos no que estamos a ler colocando questões como “o que pretende o autor dizer?” ou “qual é o principal argumento que está a ser apresentado?" É uma forma mais ativa de leitura. Quando lemos de forma crítica usamos competências de pensamento crítico para interrogarmos quer o documento quer a leitura que fazemos do mesmo.
Ser crítico, em sentido académico, constitui um atributo indispensável para a progressão do conhecimento.
 
O que significa ler criticamente?
  • Examinar as evidências ou argumentos apresentados.
  • Verificar a existência de influências nas evidências ou argumentos apresentados.
  • Identificar as limitações do desenho ou do tema do estudo.
  • Analisar as interpretações feitas.
  • Decidir em que medida está preparado para aceitar ou refutar os argumentos.
Reflexões do leitor crítico
  • O que diz o texto: após a leitura crítica de um texto toma notas ou parafraseia, nas suas palavras, os pontos mais importantes.  
  • O que é descrito no texto: sente-se confiante de que compreendeu o texto de forma a poder usar os seus próprios exemplos e comparar/contrastar com outros textos sobre o mesmo assunto.
  • Interpreta o texto: é capaz de analisar o texto na sua totalidade e atribuir-lhe significado como um todo.
Notas de leitura
A elaboração de notas de leitura constitui uma atividade muito importante para a posterior análise, processamento e utilização de informação contida em documentos que foram lidos.
 
Como tomar notas?
  • Pense no tema e no tipo de informação de que necessita antes de começar a ler.
  • Antes de começar a tomar notas leia um ou dois parágrafos do documento.
  • Inclua nas notas as suas reflexões e ideias à medida que vai lendo.
  • Pense e tome nota de que forma e em que parte do texto que está a redigir poderá usar as notas que está a elaborar.
  • Faça um registo completo de toda a informação bibliográfica sobre o documento que está a ler, incluindo o número de página, mesmo quando não está a fazer uma nota de uma citação direta.
  • Crie um sistema codificado para tomar notas: assinale as citações diretas colocando-as entre aspas; use asteriscos para assinalar ideias importantes; use um código de cores, por exemplo, para identificar as notas de leitura relativas a tópicos ou temas determinados.

Coventry University, Centre for Academic Writing. (2016, junho 28).  Critical reading. [Video].YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=H2znt-udk1A
Etapas da leitura crítica
  1. Auto-reflexão: que experiências, assunções, conhecimento e perspetivas transporta para o texto? sente-se capaz de manter a sua mente aberta a outros pontos de vista?
  2. Ler para compreender:
  • Examine o texto e o contexto: quem é o autor? qual é a editora? onde e quando foi escrito? que tipo de texto é?
  • Percorra o texto: qual é o tema? quais são as ideias principais?
  • Clarifique: procure palavras ou termos menos familiares em dicionários e glossários de forma a perceber o seu significado.
Em suma
  • Analise: qual a principal ideia/teoria/argumento do texto? quais as premissas que suportam a ideia/teoria/argumento? que exemplos são usados como evidências para os suportar?
  • Interprete: qual o significado da ideia/teoria/argumento do texto? quais os debates que foram provocados pelo autor e pelo documento? que tipo de reflexão é realizada (histórica, psicológica, política, filosófica,...)? qual a metodologia utilizada e qual a teoria desenvolvida?
  • Avalie: qual o valor do documento? as experiências, questionários, parte estatística (entre outras) foram concebidos e executados de acordo com as normas em vigor na área científica ou disciplina? é possível confiar nas fontes usadas? o argumento apresentado é consistente e lógico? quais os pontos fortes e fracos da ideia/teoria/argumento?
O que anotar?
Tipo de estudo

Tamanho da amostra

Métodos utilizados

Estatísticas utilizadas

Audiência ou público-alvo

Tipologia de dados

Principais argumentos

Localização da ideia/citação no texto
Estratégias de leitura
  • Ser seletivo:
É impossível ler todos os documentos publicados sobre um determinado assunto ou incluidos numa listagem de leituras recomendadas. Para ajudar na seleção dos documentos a ler é indispensável saber exatamente qual a informação que procura. É igualmente necessário analisar o resumo do artigo ou o índice do livro para ter a certeza de que a sua leitura é importante para o tema que está a tratar.
  • Explorar o documento:
Identificar as partes importantes do documento: ler as primeiras frases de cada parágrafo para ter uma ideia sobre os temas tratados.
Identificar as partes ou secções mais importantes e descartar as restantes.
  • Aplicar o método SQ3R:
Survey (Pesquisar): para ter uma ideia global sobre o texto.
Question(s) (Perguntar): para definir o propósito da leitura.
Read (Ler): para interiorizar o significado do texto e o seu contexto.
Recall (Recordar): para pensar e assimilar o que foi lido.
Review (Rever): para estar seguro e clarificar o que não estiver claro.
 
Sugestões úteis
  • Destaque os argumentos.
  • Procure no texto a explicação que o autor fornece sobre os conceitos usados.
  • Ao ler, não procure apenas informação. Identifique também formas de pensar.
  • Ao ler pense como partes do texto que está a ler poderão ser usadas para suportar as suas ideias ou argumentos.
Técnicas para organizar notas
  • Anotações: trata-se de adicionar comentários ao texto, que o explicam ou criticam: Estes comentários podem ser escritos nas margens do texto e podem ser acompanhados por palavras que foram destacadas de forma a identificar informação importante. 
  • Diagramas: constituem uma forma mais visual de tomar notas. Podem ter a forma de mindmaps, quadros, gráficos ou um desenho, por exemplo para reproduzir um processo ou ciclo. 
  • Paráfrases: permitem expressar ideias e informação de outros nas suas palavras. Transformar o texto original mantendo, contudo, o seu significado, ajuda à sua compreensão. 
  • Sumários: centram-se nos pontos principais do texto original constituindo uma versão mais breve dos mesmos.  
Para iniciar...
Uma das características da escrita científica é a recusa em aceitar as conclusões apresentadas por outros autores sem proceder à avaliação dos argumentos e evidências por eles apresentados.

Tal possibilita a construção de uma narrativa clara de evidências e argumentos próprios que conduzem ou que suportam as conclusões apresentadas assim como o reconhecimento das limitações nas evidências e argumentos propostos.

Escrever de forma crítica permite participar no debate científico e académico dado que é necessário conhecer, analisar, avaliar, aceitar ou refutar os argumentos apresentados por terceiros, considerando sempre a qualidade das evidências.
Conceito de argumento
Um argumento é a ideia principal, também designada afirmação ou tese, suportada por uma evidência.
 
Atributos de um argumento
  • Ceticismo
  • Confiança
  • Opinião
  • Avaliação cuidadosa
  • Sentido de justiça
Estratégias de argumentação
A capacidade de elaborar e defender um argumento é parte fundamental do processo de investigação sendo mesmo a forma de “encontrarmos a nossa própria voz“ no âmbito de uma determinada área científica ou domínio do saber.
O desenvolvimento desta competência apoia o pensamento crítico, o raciocínio, a realização de escolhas e a capacidade de avaliar as evidências.
 
Para construir um bom argumento
  • Pense na mensagem que quer transmitir, no que quer provar.
  • Recorra a um conjunto de frases claras e simples, organizadas em parágrafos, que apresentem as razões da sua posição (premissas).
  • A partir das premissas, construa conclusões (pode utilizar expressões como: logoassim sendodeste modoconsequentemente,...).
  • Explique ao seu leitor a relevância dos argumentos que apresentados, descrevendo as evidências nas quais se baseia.


Para uma maior eficácia de escrita e, posteriormente, de leitura, deve definir uma linha (ou linhas) de argumentação que se inicie na Introdução e termine na Conclusão. As frases devem ser organizadas em parágrafos e os parágrafos devem suceder-se de forma a conduzir o leitor, sem sobressaltos, até uma conclusão bem fundamentada (nos argumentos anteriormente apresentados).

Coventry University, Centre for Academic Writing. (2016, junho 28). Critical writing: how to build strong arguments. [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=QnqRydWXJo0
 

ProgressiveBridges. (2013, janeiro 27). Finding main ideas and supporting details example. [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=j104XC8JF4s
O que é referenciar
Quando realizamos um trabalho académico, para construirmos as nossas ideias, consultamos trabalhos realizados por outros de forma a saber o que já foi dito sobre o assunto que estamos a estudar e, em muitas situações, para suportar as nossas ideias sobre o mesmo assunto. 
Referenciar é uma prática académica que usamos para mencionar os recursos de informação usados num trabalho, reconhecendo o papel que o trabalho de outros teve nas nossas ideias.
O que referenciar
Os documentos ou informações recolhidos e consultados durante a elaboração de um trabalho deverão ser referenciados ao longo do texto de forma a permitir a sua fácil localização (autor, data de edição, página) devendo igualmente constar da bibliografia apresentada no final do trabalho. 

Citar parafrasear são duas formas de indicar as fontes utilizadas.
O que é citar
Transcrever ou copiar, de forma exata uma frase ou conjunto de frases, colocando o texto em causa entre aspas (“), indicando o nome do autor, a data de edição e a página do documento do qual extraímos o texto. 
 
Hunter (2010, p. 67) argued that “referencing is one of the most difficult academic practices to learn.” 
O que é parafrasear
Identificar, num trabalho de outrem, uma ideia que nos interessa e apresentá-la num trabalho nosso,  recorrendo a palavras nossas e indicando o nome do autor, a data de edição e a página do documento da qual extraímos a ideia.
 
It has been suggested that learning referencing is especially hard to do (Hunter, 2010, p. 67) 
Gestores bibliográficos
Durante o processo de investigação recolhe-se muita documentação/informação (artigos científicos, livros, capítulos de livros,…) em diferentes formatos (PDF, PPT, etc. …) que arquivamos em pastas no computador e que, por vezes, são de difícil recuperação. 

Com a utilização de softwares de gestão bibliográfica é possível criar uma base de dados pessoal com a documentação recolhida e, através dela, aceder a um conjunto de tarefas que facilitam a construção de um sistema próprio de informação científica.

Os gestores devem ser usados desde o início da investigação ou da elaboração do trabalho de forma a beneficiar de todas as vantagens de organização de informação e de prevenção de plágio que estas ferramentas colocam à disposição. 
O que é o Mendeley?
O Mendeley é um software de gestão de referências bibliográficas que disponibiliza um conjunto de ferramentas que permitem:
  • armazenar as suas referências numa única biblioteca
  • aceder à sua biblioteca a partir de qualquer lugar
  • organizar e encontrar referências na sua biblioteca
  • sublinhar e anotar PDFs
  • reunir os seus sublinhados num único espaço
  • inserir referências nos seus documentos Word
Para saber mais sobre Mendeley

Conheça a oferta formativa e inscreva-se nas ações de formação da Biblioteca Iscte
Aceda ao MOOC Mendeley: Gestor de Referências Bibliográficas
Aceda ao guia temático (separador Mendeley no guia Scopus)
Consulte o Guia de apoio ao utilizador

UniWestLib. (2019, outubro 8). How to reference your work.[Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=0HBsmzOv5Yc
Estilos e normas
Existem diferentes estilos de citação e de construção de referências bibliográficas, baseados em normas, e é comum cada área científica possuir a sua forma própria de apresentação. 

Identificado o estilo dever-se-á apreender bem as suas convenções, aplicando-o uniformemente a todo o trabalho. 

 
Quais os elementos essenciais comuns nas várias normas? 

Os elementos essenciais comuns nas várias normas são aqueles que identificam inequivocamente uma publicação fazendo com que ela se distinga de todas as outras. 

 

Nome de autor | Data de publicação | Título | Número de edição | Editora | Local de publicação | Volume | Páginas da obra ou páginas relativas à publicação referenciada  
 
No Iscte
O Iscte não adota oficialmente qualquer estilo ou norma de referenciação bibliográfica em particular. Caso esteja a elaborar um trabalho académico (e.g. trabalho de disciplina, dissertação de mestrado, trabalho de projeto, relatório de estágio, tese de doutoramento), deve consultar o docente ou orientador sobre este assunto. Se se tratar de um artigo para uma revista científica, é conveniente conhecer a forma de referenciação da publicação. 

A Biblioteca do Iscte apresenta uma oferta formativa regular e variada na qual se incluem ações de formação sobre as principais normas e as suas formas de aplicação. 

Conheça também os Manuais para Elaboração de Referências Bibliográficas e aceda ao guia temático sobre estilo APA.
Questões frequentes
Se citar tudo, não parecerá apenas uma compilação das ideias dos outros? 
  • Não, desde que seja seletivo e crítico. Serve para evidenciar a compreensão que tem do tema ao selecionar ideias para incluir ao mesmo tempo que descarta outras. Isto ocorre devido ao exercício crítico que deve fazer relativamente às ideias que inclui no seu trabalho: por que razão optou por incluir essas ideias? De que forma o ajudam a construir o seu argumento? 
 
Não é melhor apenas citar as palavras dos próprios autores? Afinal eles são os especialistas! 
  • Se o seu trabalho é essencialmente constituído pelas palavras de outros dificilmente haverá lugar para incluir a análise crítica feita por si. Escrever o que entendeu sobre as palavras de outros ajuda-o a processar e a apreender a informação. 
 
E quando não preciso de inserir uma citação… 
  • Não é necessário citar: factos históricos muito conhecidos; as suas próprias palavras; conhecimento comum (factos ou datas que se podem encontrar em várias fontes de informação). 
Para iniciar...
A escrita científica deve ser...
  • Formal, para evitar subjetividade.
  • Estruturada, porque as ideias complexas necessitam de ser controladas de forma a produzir declarações inequívocas.
  • Precisa, para que nenhuma ideia possa suscitar dúvida.
  • Apropriada, de forma a comunicar com a sua audiência da forma mais efetiva.
  • Objetiva (impessoal), através da ausência de referência a pessoas ou sentimentos, enfatizando objetos, factos e ideias. 
  • Técnica, através da utilização de vocabulário específico da disciplina.
Dado que alguns domínios científicos têm convenções próprias é necessário consultar manuais ou revistas científicas da área para identificar as formas exatas de corresponder a estes critérios.
Questões de gramática
Quando considerar estar preparado para iniciar o processo de escrita científica importa ter presentes alguns aspetos gramaticais:
  • Redija frases bem construídas mantendo uma estrutura simples.
  • Utilize a primeira pessoa em vez da voz passiva.
  • Não utilize uma série longa de qualificadores a seguir aos nomes.
  • Não use contrações.
  • Use o passado como tempo verbal para reportar os resultados.
  • Use o presente como tempo verbal para discutir os resultados.
  • Coloque os advérbios depois do verbo.
  • As regras relativas à estrutura gramatical e verbal não se aplicam quando esteja a citar um texto de outro autor.
  • A citação deve ser inserida no texto que está a escrever exatamente como aparece no texto original.
  • Caso a citação contenha erros ortográficos ou incoerências constantes do texto original a citação deve ser acompanhada pela expressão “sic” entre parêntesis retos a seguir à sua menção.
 
Erros frequentes
  • Frases incompletas.
  • Uso deficiente de apóstrofos.
  • Nomes e verbos em que o singular/plural não concordam.
  • Uso inconsistente dos tempos verbais (usar sempre o passado para reportar algo que foi feito).
Quadros & gráficos
Quando usar quadros?
  • Quando pretender apresentar uma única categoria que varia quando medida em pontos diferentes (tempo e espaço).
  • Quando o conjunto de dados incluir poucos números (para o leitor é difícil assimilar e interpretar muitos números). 
  • Quando o valor exato for crucial para o argumento e um gráfico não transmitir o mesmo nível de precisão.
  • Quando pretender evitar que a presença de valores muito altos ou muito baixos deprecie a mensagem contida no resto do conjunto de dados.
  • Quando pretender sintetizar literatura existente sobre um determinado tema.
  • Quando o objetivo for explicar variáveis.
Quando usar gráficos?
  • Quando pretender descrever, explorar ou sintetizar dados numéricos.
  • Quando tiver como objectivo simplificar informação complexa.
  • Quando quiser evidenciar padrões e tendências.
  • Quando o conjunto de dados for demasiado grande ou pequeno para apresentar num quadro.
Estrutura
A estrutura é uma característica muito importante na escrita científica. Um texto bem estruturado permite ao leitor seguir o argumento e “navegar” no texto. Uma estrutura clara e uma sequência lógica são fundamentais para um texto coeso.
O tipo de estrutura depende do tipo de trabalho a realizar. Até os textos mais pequenos, não divididos em partes através da utilização de subtítulos, seguem uma estrutura para organização das ideias. Os textos mais longos, para além da divisão em secções, podem ainda conter subsecções. Algumas áreas científicas ou disciplinas podem preferir a utilização de um determinado tipo de estrutura sendo assim prudente confirmar junto do departamento ou do professor. 
 
Tipos de estruturas

Regras de ouro
Precisão
  • Não utilize linguagem complexa ou expressões que não sejam suas só para que o que escreve pareça mais “científico.” 
  • Use linguagem direta. O leitor necessita de compreender a informação ou ideias que pretende transmitir.
  • Comunique de forma sucinta sem perda de informação relevante ou significado.
  • Escreva de forma livre e fluente e, posteriormente, edite e elimine palavras e/ou frases desnecessárias.
  • Pratique uma escrita clara concedendo especial atenção à escrita da metodologia de investigação.  
  • Utilize frases simples para uma maior clareza da escrita e maior facilidade e compreensão de leitura.

Clareza
  • A escrita deve ser formal, mas não pomposa. Evite abreviaturas, frases populares ou clichés, coloquialismos.​
  • Planeie os pontos que pretende transmitir e a evidência que utilizará para os ilustrar. 
  • Inclua apenas o detalhe necessário: ao apresentar um ponto de vista decida qual a mensagem que pretende comunicar. 
  • Planeie um ponto principal por parágrafo:
       - Frase para introduzir o ponto de vista.
       - Frase para afirmar o ponto de vista com o detalhe necessário.
       - Ilustração do ponto de vista através da utilização de informação de referência: exemplo de investigação, estudo de caso, figuras,           ...
       - Análise crítica do ponto de vista.
       - Frase resumindo o ponto de vista e mostrando como o mesmo responde à questão e contribui para o próprio argumento.

Pertinência
  • Cada palavra usada no texto deve ser relevante o que implica que não deve escrever palavras ou frases apenas por razões de estilo.
  • Cada palavra escrita deve ter uma função no texto pelo que devem ser eliminadas as palavras que não contribuam para o significado do texto.
Outros erros a evitar
  • Uso excessivo de terminologia especializada.
  • Uso inapropriado de terminologia especializada.
  • Uso excessivo de pronomes pessoais.
  • Registo informal através do uso de gíria, jargão, calão.
  • Uso excessivo de palavras.
  • Uso de expressões vagas e subjetivas.
  • Uso excessivo de escrita descritiva.
Para iniciar...
Um artigo científico constitui uma forma de comunicação científica que tem como principal objetivo partilhar informação.
É uma modalidade de trabalho frequentemente utilizada para a transmissão de conhecimento, nomeadamente, para a divulgação e disseminação de resultados de investigação.
Trata-se de uma forma de comunicação que combina texto com elementos visuais (gráficos, tabelas, figuras) mas em que o texto é preponderante.
 
Sabia que os artigos científicos constituem:
  • uma forma de legitimação e de divulgação de investigação realizada.
  • uma forma eficiente de comunicar informação a uma audiência constituída por pares.
Como elaborar um artigo
O conteúdo assim como a estrutura de um artigo são determinados pelo tema escolhido e pela audiência de potenciais leitores.
 
Antes de escrever um artigo,
tome em consideração:
  • Os leitores têm pouco tempo para ler.
  • Os leitores ficam frustrados quando confrontados com uma escrita pobre e de má qualidade.
  • Cada frase, parágrafo, figura deve fazer sentido e ser coerente.
Durante o processo de escrita,
não se esqueça de:
  • Atentar nas suas competências básicas de escrita como ortografia, gramática, sintaxe e estrutura das frases.
  • Evitar violações da integridade académica (questões de autoria, copyright, etc.).
  • Alocar tempo à tarefa de escrever.
  • Escrever e reescrever o manuscrito até sentir que está pronto para publicação.
Que estilo de linguagem utilizar?

Quanto ao estilo e linguagem a adote e cumpra as indicações fornecidas pela revista em que vai publicar.
O artigo pode ser escrito tendo em vista uma determinada revista ou, em alternativa, depois de escrito, proceder à sua adaptação ao estilo de uma revista específica em que tem interesse em publicar.
Preparar para publicar
Para que os resultados da investigação desenvolvida possam ser do conhecimento e estar acessíveis a outros profissionais e possam ter impacto na comunidade científica devem ser escritos e publicados.
Muita da investigação realizada é publicada em revistas nacionais e internacionais com um sistema de arbitragem científica assente em peer-review (revisão por pares) os quais são especialistas no domínio científico em apreço e que avaliam o manuscrito. Após a avaliação o manuscrito pode ser recomendado para publicação, revisão ou rejeição. 
 
Conheça alguns dos critérios de avaliação dos revisores
  • Qualidade e inovação da investigação.
  • Correspndência aos interesses da revista.
  • Importância, relevância e prevalência do problema.
  • Qualidade da redação (direta, clara, de fácil leitura e com uma organização lógica das ideias).
  • Desenho da investigação apropriado, rigoroso e abrangente.
  • Revisão da literatura equilibrada e atualizada.
  • Amostra utilizada suficientemente ampla.
Razões que podem resultar em rejeição
  • Dados quantitativos inapropriados, incompletos ou insuficientemente descritos.
  • Amostras pequenas, enviesadas ou tendenciosas.
  • Interpretações abusivas dos resultados.
  • Utilização de populações ou instrumentos inapropriados ou insuficientemente descritos.
  • Texto escrito de forma pobre e de difícil leitura.
Estrutura de um artigo
Título: Descreve o conteúdo de forma breve, mas informativa. Constitui o anúncio do artigo. Não usar abreviaturas ou jargão.

Resumo: Trata-se se um resumo do artigo escrito na 3ª pessoa para atrair a atenção dos leitores e permitir-lhes decidir se lerão todo o artigo.  Inclui: antecedentes do estudo e descrição do problema; questão de investigação, objetivo do estudo e hipóteses; descrição da abordagem realizada; principais resultados e conclusões. Aproximadamente 150 a 200 palavras.

Introdução e revisão da literatura: É uma das partes mais difíceis de escrever. São utilizados estudos anteriormente publicados para criar o contexto e para fornecer ao leitor informação quanto à necessidade da investigação reportada no artigo. A introdução deve incluir a) importância do tema; b) falha existente na literatura relativa ao tema do artigo; c) revisão da literatura de suporte às questões-chave; d) propósitos, objetivos e hipóteses.

Métodos: Descrição clara do desenho do estudo assim como dos procedimentos realizados. Deve igualmente fornecer a informação necessária para replicar a parte experimental. Deve incluir a seguinte informação: a) população e equipamento utilizados; b) forma como a população e o equipamento foram preparados e o que foi feito durante o estudo; c) protocolo usado; d) resultados e como foram medidos; e) métodos utilizados para a análise dos dados.

Resultados: Principais resultados do estudo reportados de forma neutral e acessível, isto é, sem interpretações que possam ser sujeitas a discussão.

Discussão: Interpretação dos resultados relacionando-os e comparando-os com evidências publicadas noutros estudos. Os resultados devem ser colocados em perspetiva tomando em consideração literatura anteriormente publicada. Importa fornecer informação sobre como os resultados se relacionam com as expectativas e com a literatura previamente consultada. Discussão das consequências do que foi descoberto e de que forma a investigação realizada contribui para o avanço do corpo de conhecimento científico.

Conclusões: Finalizar com um parágrafo composto por três a cinco frases sumativas que devem refletir o fluxo e resultados do artigo. Não devem ser incluídas afirmações especulativas. Pode ser incluída uma frase relativa a futuras linhas de investigação.

Referências bibliográficas: Todos os documentos que foram utilizados e citados para escrever o artigo.
Em resumo...
  • Pesquise e Identifique a revista mais adequada para publicar a investigação realizada. Algumas editoras e bases de dados internacionais possuem ferramentas que ajudam neste processo.
  • Prepare o manuscrito respeitando as instruções aos autores fornecidas pela revista a que está a submeter o manuscrito. Esta informação encontra-se disponível na página web da revista.
  • Submeta o manuscrito que será analisado pelo editor e, se passar o escrutínio inicial, será enviado para revisão por pares a especialistas no domínio científico em causa.  Se for considerado que a sua publicação não é possível na revista selecionada, o editor pode sugerir que transfira o manuscrito para uma revista mais adequada. 
  • Se for o caso, receba os comentários dos revisores, leia-os e assegure-se de que compreeneu as indicações. Reescreva e atualize a bibliografia pois novas inestigações podem ter sido publicadas desde a submissão
  • Após a publicação, partilhe e promova o artigo para que a investigação alcance maior impacto. Tal permite-lhe ser mais citado, o que tem impacto em termos de reputação, de promoção da investigação e de evolução na carreira. 
Publicar em acesso aberto
O efeito do Acesso Aberto na visibilidade, uso e impacto da investigação científica apresenta-se como uma mais valia para a ciência e sociedade. Numerosos estudos têm demonstrado que as publicações em Acesso Aberto são citadas mais vezes.
O Acesso Aberto apresenta as seguintes vantagens:
  1. Promove e acelera o progresso da investigação e da ciência
  2. Aumenta a visibilidade, o acesso, a utilização e o impacto dos resultados de investigação
  3. Melhora a monitorização, avaliação e gestão da atividade científica, tornando mais transparente o sistema de comunicação científica
  4. Facilita a inovação e maximiza o impacto e o retorno social e económico
  5. Torna os resultados da investigação acessíveis a cidadãos e organizações, principalmente a investigação financiada por programas públicos
Saiba mais sobre Acesso Aberto aqui.
Para iniciar...
  • Escolha o tema.
  • Identifique e desenvolva a questão de partida.
  • Elabore o plano de investigação.
  • Organize o trabalho a desenvolver.
Sugestões
  • Conceda a si próprio o tempo necessário para planear a estrutura da sua dissertação.
  • Apresente o argumento de forma de forma efetiva.
  • Apresente os resultados de forma detalhada.
  • Escreva no decurso da investigação
  • Esteja preparado para editar várias vezes o texto até chegar à redação final.
  • Guarde algum tempo para a leitura final do trabalho.
  • Use um gestor de referências bibliográficas (EndNote, Zotero, RefWorks, Mendeley) desde o início do processo.
  • Seja crítico. 
Na relação com o orientador
  • Acorde um calendário de reuniões
  • Identifique um ponto específico a discutir em cada reunião
  • Registe o que foi decidido em cada encontro
  • Seja pontual
  • Apresente informação sobre o trabalho desenvolvido de forma regular
  • Identifique o trabalho a desenvolver em cada momento
Processo de elaboração
Escolha do tema
  • Discuta o tópico/tema a investigar com os seus pares para, através dos seus comentários e perguntas, melhorar a questão de partida. 
  • Conheça a investigação já realizada sobre o mesmo tema identificando áreas ainda não estudadas ou que importa aprofundar. Aconselhe-se com a sua Biblioteca!
Desenvolvimento da questão de partida
  • Refine o tema e defina os limites da investigação.
  • Questione em que medida cada tarefa a desevolver contribuirá para responder à questão central da investigação.
  • Reveja o problema de investigação à medida que fôr avançando nas leituras.  
Planeamento da investigação
  • Redija a sua proposta de investigação. Pode utilizar uma estrutura semelhante à seguinte:
       Tema: este projecto estudará…
       Questão/Problema: para descobrir/identificar…
       Significado: para alargar o conhecimento sobre…
       Fontes primárias: os dados principais serão…
       Fontes secundárias: dados adicionais virão… 
       Métodos: a investigação será desenvolvida da seguinte forma…
       Justificação: o método é o mais adequado porque…
       Limitações: existem alguns aspetos que poderão não ser explicados através da metodologia utilizada os quais poderão incluir…
 
Organização e método
  • Considere um facto essencial ao sucesso do seu trabalho.
  • Aconselhe-se com o seu orientador sobre a melhor forma de organização.
  • Tenha especial atenção à recolha de dados, criando um sistema que lhe permita recuperar informação e criar outputs de forma rápida e eficiente.
Para iniciar...
Um póster constitui uma forma de comunicação científica que tem como principal objetivo partilhar informação.
É uma modalidade de trabalho frequentemente utilizada em conferências, seminários, colóquios e outros tipos de reuniões científicas.
Trata-se de uma forma de comunicação em que a dimensão visual é muito valorizada motivo pelo qual se considera que um bom poster resulta da combinação de elementos visuais (gráficos, tabelas, quadros, entre outros) e texto. 
 
Sabia que os pósteres constituem:
  • uma forma de legitimação e um formato popular de apresentação para a comunicação de investigação realizada.
  • uma forma para, de forma eficiente, comunicar conceitos e informação a uma audiência com recurso a elementos visuais e a texto.
  • uma oportunidade para a troca de ideias e para networking dado os autores dos trabalhos poderem estabelecer contacto com os interessados no seu trabalho. 
  • uma oportunidade para os jovens investigadores apresentarem e divulgarem o seu trabalho em reuniões científicas.
  • um formato de comunicação científica muito popular (dada a sua eficiência e impacto em termos de comunicação) motivo pelo qual em muitas reuniões científicas são apresentados mais pósteres do que comunicações. 
Antes de produzir o póster...
  • Saiba se o poster será avaliado durante a reunião científica em que será apresentado. Se esse for o caso, solicite o envio dos critérios que serão utilizados na avaliação dado que essa informação ajudará a elaborar o poster.
  • Conheça as regras para a produção do póster (por exemplo, tamanho) e como será apresentado (em papel ou em formato digital?)
  • Determine como é que o póster será produzido, isto é, será produzido internamente ou com apoio externo?
  • Elabore a lista de componentes do póster e seu posicionamento.
Como elaborar um póster
Estrutura
  • Introdução: apresenta os antecedentes e o objetivo da investigação (conhecimento existente no domínio em apreço, conhecimento em falta, forma como o projeto de investigação aborda a questão do conhecimento em falta).
  • Métodos: inclui o desenho da investigação, número de pessoas envolvidas no estudo e forma como foram selecionadas. 
  • Resultados: pode incluir dados quantitativos.  
  • Discussão: afirma, de forma concisa, o que pode ser concluído com base na investigação e as suas implicações. As conclusões têm de ser suportadas pelos dados apresentados nos Resultados. 
 
Aspeto visual
  • Evitar  a desorganização.
  • Limitar o póster às ideias principais.
  • Organizar as componentes do póster de forma a permitir a leitura de cima para baixo e da esquerda para a direita.  
  • Destacar os pontos importantes através da utilização de molduras, caixas e setas.
  • Manter a simplicidade no tipo de fonte de letra e não utilizar mais de três tamanhos diferentes da mesma fonte (maior, para o título do poster; intermédia para os títulos das secções; mais pequena para o texto: deve ser suficientemente grande para ser de fácil leitura a uma distância de 1,5 m a 2m).
  • Usar cores simples (muita cor pode distrair pouca cor pode ser maçadora e sem vida).
Leitura e estilo
  • A leitura deve ser fácil e direta.
  • O estilo deve ser claro e simples.
Outros recursos de informação
  1. Charles Darwin University (2020). Introduction to academic writing.
  2. Duke Graduate School (2013). Scientific writing resource.
  3. EnagoAcademy (2020). 8 most common types of plagiarism to stay away from
  4. Guia Integridade académica e plágio (2020).
  5. Handley, A. (2013). 9 Qualities of good writing
  6. Massano, J. e Ferreira, A. (2020). Integridade científica e académica em Portugal: um desígnio nacional. Acta Médica Portuguesa, 33 (1), pp. 1-3. https://doi.org/10.20344/amp.12930
  7. Purdue University (2020). Research and citation resources
  8. Queens University (2019). Integrating sources effectively: How to Paraphrase. 
  9. RMIT University (2020). Starting your literature review.
  10. Teixeira, A. (2011). Integridade académica em Portugal: relatório síntese global do estudo.
  11. ThoughtCo (2019). What is plagiarism? Defining plagiarism and techniques to avoid it.
  12. University at Albany (2020). Evaluating web content. 
  13. Universidade de Aveiro. Serviços de biblioteca, Informação Documental e Museologia (2020). Farol: Guias temáticos da Universidade de Aveiro.
  14. Universidade do Porto. Faculdade de Engenharia (2020). Guias tematicos de Apoio.
  15. University of Edinburgh (2020). Evaluating information on the internet.
  16. University of New South Wales (2019). Effective reading and note-taking.
  17. University of North Carolina at Chapel Hill. Writing Center (2020). Academic integrity.  
  18. University of North Carolina at Chapel Hill. Writing Center (2020). Argument.
  19. University of Oxford (2020). Academic good practice – a practical guide.
  20. University of Oxford (2020). Academic integrity in research.
  21. University of Oxford (2020). Plagiarism.
  22. University of Sussex (2020). How not to construct arguments.
  23. Walden University (2020). Writing a paper: reflecting & improving.
  24. Write like a scientist: a guide to sicentific communication (2020).
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Última atualização deste guia
Setembro de 2020